Camila Máxima Pinto de Meireles, frequenta os palcos desde seus três anos de idade. Nascida em Luanda, aos 28 de abril, filha de Isabel da Costa Meireles e de Marcolino Leopoldino Neto de Bragança Pinto de Meireles (um dos fundadores do Sport Lisboa e Benfica), é a caçula de oito irmãos.



Sua carreira começou quando descoberta por Tito d'Assunção, um amigo da familia, produtor do Grupo Folclórico de Angola, que se exibia nas melhores salas de Luanda. Desse grupo saíram grandes músicos como Nino Dongo e Chico Viola, que mais tarde integraram os conjuntos "N'Gola Ritmos" e os "Cinco de Luanda".



A pequena Camila era a mascote do grupo, cantando e dançando. Por volta dos seis anos parou de se apresentar para não atrapalhar o desempenho na escola.

Anos mais tarde, porém, a Emissora Oficial de Angola lançou o programa de rádio "Gente Nova". A jovem adolescente passa então a cantar no programa sob o pseudónimo de Milita.

Sua popularidade aumentando, Milita é chamada para se apresentar em espetáculos ao vivo, nomeadamente "Kazumbi" e "Chá das Seis", passando a apresentar-se em toda Angola.

Convidada pela Cruz Vermelha, integrou a caravana artística que cantava para as Forças Armadas Portuguesas, convite esse que na época era uma grande distinção e, para a jovem cantora, portanto, irrecusável. 

Em 1965 foi eleita a "Princesa da Radio". Sua beleza e simpatia também contribuiram muito para sua carreira. Milita teve diversas oportunidades de desfilar como manequim e foi diversas vezes convidada para participar em filmes, musicais e outros projetos.  

Simultaneamente estudava e aos 18 anos empregou-se nas Obras Públicas como funcionária. Daí foi convidada a trabalhar na fábrica de cerveja da "Cuca". Sua passagem na fábrica foi de curta duração pois logo em seguida foi cantar na festa de aniversário do Banco Comercial de Angola e recebeu o convite para trabalhar no Banco. 



Poucos anos depois se casou com um engenheiro alemão, que trabalhava em Angola. Devido à instabilidade política do país o casal foi transferido para o Brasil.

Uma fase dura para a nossa querida cantora, que para cumprir seu dever de esposa, teve que deixar a sua terra natal em 1975, se afastando assim, não só dos seus inúmeros fãs, mas também de sua família e dos seus amigos.  O casal se instala, primeiramente, em Teresópolis. Cinco anos depois, nasce sua filha, a pequena Coralie.

Já instalada no Rio de Janeiro, Milita encontra trabalho na fábrica de cosméticos "Helena Rubinstein" e em seguida aceita o cargo de relações públicas na Clínica Ivo Pitanguy, onde trabalharia os próximos 6 anos. Entretanto em 1983 o casal se separa. As circunstâncias não são fáceis, as prioridades mudam. 

Apesar da radical mudança de vida, Milita nunca deixou o canto, teve aulas com as professoras de canto Regina Silvares, Vera Canto Mello e com a fono-audióloga Márcia Tanuri. nunca cortou seus laços com Angola. ​

Visitava frequentemente seu país e se apresentava sempre, que a ocasião permitisse. Mesmo no Rio de Janeiro, não deixou o meio artístico. Conheceu e conviveu com inúmeras personalidades brasileiras, cantava em piano-bars e participou do filme de Norma Benghell "Eternamente Pagú". Em 1991, vai pra Portugal gravar o seu disco "Eu sou angolana" e comemora sua edição três anos depois.

Durante esta época aproveitou para expandir suas experiências, começou a cantar nas diversas casas de fado de Lisboa. Apesar de seus planos serem outros, em 1996 apareceu uma bela oportunidade em Bruxelas, na Belgica. Mas, contrariamente ao que esperava, esta oportunidade se mostrou ilusória, porque a cantora, mesmo falando diversas outras línguas, não falava holandês. De carácter cultural, geográfico, psicológico ou financeiro, as dificuldades começavam a surgir.

Milita se vê obrigada a aceitar trabalhos mal pagos, e que não correspondiam às suas expectativas (durante o dia) para poder cantar em bares até durante a noite. Até que, em 1997, aparece a oportunidade de servir seu país como secretária na Embaixada de Angola em Paris, na França e, servia de intèrprete nas reuniões da SADC (Southern African Development Community).

Pouco depois Milita conhece o seu segundo marido, um economista e músico croata. No final dos anos 90, Milita ganhou o prêmio de poesias "Simon Bolivar" e começou a compor as músicas para seu segundo disco.

Apesar de próspera, esta fase ofuscou bastante o lado artistico da vida da cantora, que muito dedicada a seu absorvente trabalho, não tinha mais muito tempo para cantar. Com grande tristeza, Milita viu-se até forçada a desistir das aulas de canto que estava a fazer com Yva Barthélémy, em Paris. E a saída do seu segundo disco, pronto já há alguns anos, onde até video clipes já foram filmados (em Angola), se faz longa.  Mas oportunidades para cantar nunca faltaram. 



Entendendo esta situação e reconhecendo o valor e peso artístico da sua funcionária, a Embaixada de Angola em Paris, onde a cantora trabalha, concede a estrela de se ausentar sempre que os fãs lhe solicitam. E assim, veio o Come Back.

Como todos sabemos, vida de artista não é fácil e só uma vontade férrea e o grande amor à arte, permite que o artista se obstine em seguir o seu caminho. 

A cantora, poetisa e compositora ainda é muito solicitada e, continua abalando por onde passa. Esbanjando alegria, e com muito jingado essa artista é uma fonte de energia e optimisto, que inspira todos. Motivo pelo qual muitos a consideram "A Voz Angolana", outros "Rainha da música angolana", ou mesmo a "Diva".  

 



Acreditamos em Ti, M'Mylita!



Para uma vista mais detalhada sobre as principais atuações da cantora, por favor consulte a rúbrica "Apresentações".

Biografia